quarta-feira, 28 de maio de 2008
Da série 'passou pelo mp3 e não deixou saudades'.
Death Cab For Cutie - Narrow Stairs
Conhecia de nome e sabia que um dos membros produziu um disco recente do Nada Surf. O pouco que ouvi de Plans, álbum anterior deste quarteto americano, já avisava: tudo bonitinho, limpinho, insípido, devagar, quase parando. Deveria ter parado por ali, mas sou cabeça-dura. Banda adorada por indie-rockers nerds (pleonasmo?) do hemisfério norte, o DCFC faz a típica trilha de séries como O.C., com músicas longas, sem pegada, sem melodia marcante. Letras "rapazinho sensível" com pretensões literárias - tem até citação a Kerouac - mas sem inspiração. Guitarrinhas murchas, voz comportada, teclados modorrentos e contínuos. Sono, muito sono. Ouvir Narrow Stairs de cabo a rabo é como comer aquela sobremesa que ficou semanas na geladeira.
Hold Steady - Stay Positive
Tiozinhos elogiados por sites gringos como o Pitchfork e presença constante em listas de melhores do ano de revistas tipo Uncut, Mojo e yadda-yadda-yadda. A banda até que é boa: influências de Springsteen e Replacements, refrãos que funcionam em arena e letras espertas que, na verdade, são pequenos contos sobre gente bêbada e passional. Os únicos problemas com este disco são:
(1) O vocalista, com sua indefectível voz de pato, precisa de um fonoaudiólogo urgente. E a cada faixa ele insiste nos mesmos maneirismos: voz anasalada proferida com sofreguidão, quebrando a métrica. Começa a cansar na metade.
(2) De vez em quando a banda finca o pé na farofa. Uma faixa, por exemplo, é conduzida por um cravo, instrumento de gosto bem duvidoso. Em outra, uma belíssima balada, entra uma guitarra solando à la Richie Sambora.
Howlin' Rain - Magnificent Friend
Definida por muitos como o Purple clássico com os vocais de Rod Stewart dos bons tempos (anos 60 e 70), esta banda de San Francisco é exatamente isso e não vai muito além. Não que seja pouco. A mistura de soul, hard rock, blues e psicodelia, com direito a timbres e produção vintage, chega a empolgar em alguns momentos. Ao vivo deve ser potente. Com uma cerveja geladíssima acompanhando, então, perfeito. Poderia ser daquelas bandas que nunca gravam, só viajam por aí tocando em feirinhas da Pompéia, viradas culturais e bibocas da Louisiana. Mas o disco, embora interessante, chega a ser caricato. E nem seria preciso dizer, mas vá lá: não faz nem sombra a um Exile on Main Street ou mesmo aos melhores do Black Crowes.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Apesar do 1° de abril...
- Fala, meu velho! Como é que tá?
- E aê, fulano! Quanto tempo, hein?
- Pois é. E aí, o que tá fazendo?
- Tava parado por um tempo, mas voltei a tocar.
- Legal. Tá fazendo som com quem?
- Tô tocando na banda do Gilliard, cara.
quarta-feira, 19 de março de 2008
R.E.M. - Accelerate

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O ogro e a mademoiselle

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Sobre dedos e canivetes suíços
- ... o Bobô fazia muito gol e foi campeão brasileiro com o Bahia, mas sabia que o Barradão ia desabar! Só ELE sabia!! Bem feito, agora o Bobô tá preso! E o Bahia tá jogando no estadio do Vitória, vê se pode!! Igual ao Corinthians, que nem endereço tem. Eu fui até lá em Itaquera outro dia pra procurar e não encontrei nada, só mato!
Alguns possíveis corintianos olham feio para o sujeito.
- Próxima estação: Cidade Jardim...
- ... porque eu cortei o meu dedo pra me aposentar!!! Agora eu me aposento, nem que vá até a OAB! Vou falar com os adévogados! Não vou ficar sem dedo e besta, que nem o presidente.
Gargalhadas.
- Isso aê, tio. Ranca o dedão fora!
- Próxima estação: Berrini...
- Ô seu prefeito, quero luz na minha ruaaa... pra morar com minha mulher, meu filho e meu amigo... - Começa a cantar, usando a melodia de "Respeita Januário", do Luiz Gonzaga. De repente, interrompe e anuncia - Pra quem não sabe, essa música é de minha autoria!
- Próxima estação: Granja Julieta...
Saio do vagão e, enquanto atravesso a passarela, começo a achar que preciso dar mais atenção a estranhos na rua.
Na semana passada eu deixei o mp3 no chão e, como quase sempre a truculência surge em momentos de distração, pisei nele sem querer. Quando ouvi o estalo, pensei que tinha acabado de inutilizar o aparelhinho, mas só trincou o vidro. Pode ser um começo.
E até onde eu saiba, Barradão é o estádio do Vitória. O que desabou foi a arquibancada da Fonte Nova.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
2008... Agora vai?
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Esporeando os sentidos
Antes dos ânimos esfriarem, do tédio implacável se acomodar e de "Tente outra vez" em versão gospel sair pelas caixas de som de um camelô qualquer, me transformo em outro animal para sair uivando por aí em dialeto próprio. E o futuro, ou o melhor que ele pode trazer, dá um chá de cadeira. Essa é minha prova de paciência, e o jogo é disputado lance a lance.
[devaneios produzidos à audição do disco novo do Modest Mouse - "We Were Dead Before The Ship Even Sank"]
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Piada pronta
Quase em frente ao trabalho, a constatação. Ao entrar numa avenida, cometo aquela cagadinha que vinha até então me trazendo sorte: entro com o carro olhando os que estão vindo, sem lembrar de conferir o que tinha do outro lado. Um amassado de leve nas duas latarias, acho até que eu levei a pior. O "terceiro" (jargão da seguradora), meio apressado a caminho do trabalho e nada estressado, deixa nome, contato e placa do carro, XXX-0000, município de Carapicuíba. Pelo jeito, sempre sobra mesmo.
sábado, 20 de janeiro de 2007
Moving forward
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
A aridez da sala de espera
Levo pouco tempo até achar o que quero. Promoçãozinha acessível, modelo razoável também. Pago, boto a viola na sacola e vou brindar a chegada da chuva com um frugal suquinho de abacaxi. Daqueles pouco recomendados para diabéticos, cortesia (ou falta de aviso) do tio da vitamina. Mas era o que o gosto amargo pedia.
Na madrugada seguinte, mais precisamente às 4:55 a.m., toca o telefone.
"Zzzzzzz... alô?"
"Htmaretzdetralalatchibumtekjd..."
"Desculpa, não entendi nada. Quer falar com quem?"
"Natrbakterlipwsapopodjdkjihihihehehakja..."
"Não é aqui", e desligo.
Toca de novo. Encarrego a secretária eletrônica de atender, mas não deixam recado. Em seguida, começa a chamar pela terceira vez.
"Alô. Humpf."
"Qwertypoiuytasdflokdidfna..."
"Vai encher de bizarrice o Natal de outro infeliz, filho da puta!"
Botão Talk mode off.
Mal posso esperar pelo doce mês que vem.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Tom Waits - Swordfishtrombones

Começa pelo óbvio: um cachorro molhado bufando uísque e estalando os dedos. O paletó bege, quarado ao sol em varal de improviso, exala aromas de fumaça e de um milharal mal cuidado. A cabeça tamborila impiedosamente a cada centímetro que se distancia do chão. O corpo está cheio de pequenos hematomas de dias atrás, amarelados e solenemente ignorados. O adubo seco encrustado nos vãos da sola do mocassim se desprende aos poucos. A cachorrada - a de verdade - uiva com languidez lá dos fundos. Soa como cordas de violinos afinadas antes do concerto. Mastins napolitanos de fraque e galgos de cacharrel, todos com a garganta entupida de pigarros e se empertigando até o rufar do tornado. Os comprimidos para aplacar a labirintite se dissolveram no calor úmido - fundiram-se numa gosma uniforme de tom sujo e esbranquiçado. "Melhor guardar de volta", pensa. A mão faz um gesto curvado para baixo, supondo que o recipiente vá cair dentro do bolso ao ser largado pelos dedos. No entanto, a desatenção trêmula faz o vidro escorregar por fora, se despedaçando no ladrilho morno. A calça de cinto desafivelado pende para baixo, pesada. Os bolsos transbordam de papéis socados - talvez por isso o trajeto de retorno do remédio tenha terminado em acidente. Bolas e tiras amassadas de papel quase que escapam sozinhas dos bolsos, como líquens invadindo o muro do vizinho. "Melhor colocá-las de vez para fora", rosna o Rottweiller, com voz de poucos amigos.
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
O valor sentimental da adiposidade
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Black Mountain - s/t (2005)

Sabe quando você se depara com aquele disco repleto de informação e, de saída, não consegue sacar a banda da forma mais preguiçosa? Sabe quando ouve algumas vezes e fica na dúvida se os caras estão perdidos no excesso de referências ou se condensaram tudo maliciosamente em 40 e poucos minutos, justamente com a intenção de primeiro te oferecer um balaio de iguarias que você já provou antes mas que, recombinadas com alguma criatividade e persistência, proporcionam um novo prazer? Pois em algum lugar nessa larga avenida de divagações está espalhada a música do Black Mountain, que estreou com um belo álbum homônimo no ano passado e só agora descobri.
Existem, basicamente, duas formas de se escutar o disco deste coletivo de Vancouver (Canadá) que gira em torno de Stephen McBean. A primeira, mais fácil e lúdica, faz você ir associando cada passagem a algum momento relevante já percorrido por esse cinquentão enrugado (err... o rock, não o tal do McBean). Está tudo lá, muito bem distribuido: Velvet, Black Sabbath, Stones, Pink Floyd, space rock, Led Zeppelin, Sly & The Family Stone, stoner rock, The Fall, estética low fi. "Modern Music", por exemplo, abre o disco com um sax aparvalhado e lembra Pavement pelo desleixo cínico e divertido, mas serve como pista falsa para o que vem a seguir. O single "Druganaut" é um híbrido do groove lisérgico do Sly Stone com o peso monolítico do Sabbath. Bagagem referencial transbordando. E olha que são apenas duas das oito faixas.
Há ainda uma segunda form(ul)a para ouvir Black Mountain. Para isto, no entanto, antes de mais nada seria preciso descartar o parágrafo anterior. É uma experiência de retorno menos imediatista e mais recompensador: esqueça quem já fez parecido antes, fique com as pistas inadvertidamente cedidas. É mais simples do que parece. Basta prestar atenção nas flautas, vocais masculinos/femininos, palmas, pandeiros, atmosferas drogadictas. Nevoeiro. Introspecção. Euforia descontraída. Confusão. Sujeira bem organizada. E fique tranqüilo, pois acaba antes de cansar e você provavelmente vai descobrir mais detalhes e lugares nas próximas audições.
Stephen McBean pode ter uma baita cara de zé droguinha, mas é um sujeito inquieto. Também já confabulou outros projetos, como o Jerk With A Bomb e o Pink Mountaintops - este último soltou recentemente o álbum Axis Of Evol. Tem lançado em média um disco por ano, cada vez por uma das bandas e sempre por um selo próprio, o obscuro Jagjaguwar. A crítica e o bom nerd de plantão prestam mais atenção a cada lançamento do coletivo. Ouvi uma ou outra coisa e, nesse mostruário de tubos de ensaios, o Black Mountain parece ser o mais convidativo capítulo iminente para o que realmente interessa.
sábado, 22 de abril de 2006
The Raconteurs - Broken Boy Soldiers (2006)

Sou daqueles que torcem o nariz quase de imediato a hypes do novo roquismo, apesar de acompanhar uma ou outra banda à distância. Os critérios que vou usando para ir atrás ou descartar o que a mídia especializada anda babando o ovo são um tanto incoerentes e obscuros. Enquanto não chega o momento em que alguém dessa 'leva dos anos 00' transcenda à perenidade - por meio de trabalhos mais consistentes ou pelo bom 'envelhecimento' dos já lançados - vou me guiando por este faro subjetivo. Mas isso não importa agora.
O que interessa como prólogo à audição de Broken Boy Soldiers é: o White Stripes, banda que divide Jack White com os estreantes Raconteurs, nunca me desceu direito. Ok, o cara tem algum talento, saca um bocado de guitarra e de autopromoção, mas sua banda sempre me soou ordinária, comum. Voz entre o esganiçado e o histérico, blues sujo e garageiro como dezenas de bandas americanas já fizeram com igual ou maior competência, e alguma habilidade para compor músicas marcantes (subutilizada em "Seven Nation Army", o hit mais chato de 2003). Sem contar as excentricidades da dupla sempre prevalecendo à música, o que depõe muito contra. E Brendan Benson, o outro membro 'manjado' dos Raconteurs? O pouco que conhecia remetia a um Elliott Smith mais dado a amenidades. Só confirmava minha baixa expectativa para esse projeto.
O disco, no entanto, quase consegue a proeza de unir o melhor dos dois mundos. A começar pela música de trabalho, "Steady, As She Goes", a primeira a cair na internet: um power pop caprichado, que valoriza os backing vocals e com guitarras moldando um senso melódico na escola do Big Star (banda setentista lendária, mas com pouco reconhecimento de público). Muito do material que a segue vai por um caminho parecido. A faixa-título, "Intimate Secretary" e "Store Bought Stones" são exemplos de como a banda emula impiedosamente Led Zeppelin nos agudos de Jack White, nas slide guitars, nos riffs inventivos, nos arranjos que crescem com ajuda de violões folk e de uma cozinha pesada. Os anos 70, e em especial as duas bandas daquela década citadas aqui, emprestam as principais ferramentas dos Raconteurs.
E não pára por aí. "Yellow Sun" lembra a introdução de "Pinball Wizard", do Who. A faixa que encerra o disco, "Blue Veins", entrega ainda mais: dá pra imaginar Jack White ouvindo sem parar "Since I've Been Loving You", aquele épico blues rock zeppeliano, enquanto a compunha. Ou quem sabe a fonte tenha sido "I Want You", o momento mais dilacerado de John Lennon em Abbey Road. No meio disso tem a balada "Together", talvez a principal composição de Benson no disco, acenando tanto para essa atual onda neo-folk como para os caipiras originais dos anos 60 e 70.
Broken Boy Soldiers é, sim, um álbum bem retrô. O elemento diferencial que os joga de volta ao presente - livrando a cara deles da suposta acusação de 'nostalgia do não-vivido' - está no simples poder de concisão, típico do rock feito nesta década. Nada sobra nas dez faixas, tudo é bem dosado e pouco reafirma os excessos do rock de arena ao qual boa parte do hard rock dos 70's descambou antes do punk surgir.
Ah, e eu disse que há QUASE o melhor dos dois mundos de JW e BB? Deve ser porque eles mal se juntaram e ainda estão no caminho... e tudo bem, o primeiro dos White Stripes até que é bacana.
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Snow Patrol - Eyes Open (2006)

Quase todos os textos que li sobre o Snow Patrol - especialmente os que saíram após o lançamento do bem sucedido disco anterior, Final Straw (2004) - comparavam esses escoceses ao Coldplay, como se fossem tudo aquilo que faltava à burocracia de Chris Martin e seus colegas: mais vibração, menos pieguismo. Melodias igualmente bem acabadas porém mais sucintas, com uma pegada mais roqueira.
Bem, confesso que ofereci alguma resistência à banda, pois costumo manter distância do tédio que o Coldplay e bandas relacionadas (er... Keane?) me despertam. Já havia conferido rapidamente o primeiro disco da patrulha da neve, Songs For Polarbears, que me causou total indiferença. Algo do tipo: ok, mais um bando de jovens sensíveis para fazer volume na segunda divisão do indie pop britânico, que também não anda lá bem das pernas. No entanto, fui cedendo aos poucos, peguei o disco de 2004 para escutar e, movido por canções altamente grudentas como "Spitting Games", acabei endossando aquelas resenhas.
Já este Eyes Open, quarto CD do Snow Patrol (ainda não disponível nas lojas), depura todas as qualidades e mantém os excessos de Final Straw. Se no disco anterior haviam guitarras altas palhetadas para baixo somadas ou se alternando a teclados onipresentes, agora a banda mantém a equação, com produção e timbres ainda mais esmerados. Se antes faziam baladas cinicamente desamparadas para ganhar os fãs pueris dos Smiths, dessa vez ainda colocam uns backing vocals femininos. Soam como uma banda de garagem sendo obrigada a tocar em uma arena para um público médio, tentando conquistá-lo com canções redondas, cheias de refrões grudentos, mas ao mesmo tempo enxutas de clichês popularescos.
As três faixas que abrem o disco, "You're All I Have", "Hands Open" e "Chasing Cars" são extremamente acessíveis e radiofônicas mas fogem do vazio e da desmedida. Suas letras são simples sem serem derramadas. Em "It's Beginning To Get Me" o vocalista Gary Lightbody arrisca um falsete a la Bono e (medo!) Chris Martin, mas a superação da honestidade sobre a canastrice acaba conquistando o ouvinte. A rapidinha e alegre "Headlights On Dark Roads" joga um balde de água fria nessa faceta 'eloqüente', com a guitarra lembrando Pixies.
Se você cansou da nerdice rock de buscar os 30 discos mais experimentais segundo a Mojo, se quer ouvir música pop não vulgar em 2006 e está disposto a dar ouvidos a uma banda sem pretensões vanguardistas/messiânicas/salvadoras do rock, abaixe a sombrancelha desconfiada e arrume um jeito de ouvir este disco.
quinta-feira, 16 de março de 2006
Breathe in, breathe deep
O mistério da continuidade parece um fenômeno que passa ao largo. Ou melhor, passa até perto, mas acontece só com os amigos e vizinhos. É o processo inverso do assalto ou da gravidez inesperada. Você acha que só ocorre com o outro, mas bem que gostaria de ser esse tal do 'outro' de vez em quando. Assim, enquanto nada acontece, apenas consigo pensar no título.
Uma pequena idéia mirabolante para cada execução em frangalhos, estilo Elvis gordo em Las Vegas. É tão curta que quase morro sufocado durante a transpiração. É tão superestimada que, se percebermos a assimetria (in vs. out), essa idéia mais parece um membro atrofiado. O choque da constatação não chega a ser visual, mas causa um incômodo igual ao daquelas fotos de pacientes com braços não-desenvolvidos. Afinal, os que podam são os outros, especialmente eu mesmo.
Uma vida longa demais para dormir. A inspiração da madrugada é descontinuada.
segunda-feira, 13 de março de 2006
Começo tardio
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
Pequenos votos de fartura e esperança
O abraço no porco-espinho certamente será aplicado e multiplicado nesse final.
O pneu do caminhão de mudanças corre o risco de furar nesse final.
A hora de retirar o gesso e as gazes pode ser agora, nesse final.
Lágrimas de vinagre e uma conspiração muda poderão se formar ou serem adiadas nesse final.
Enquanto isso, antes do começo encerrar de vez o final, pessoas espertas discutem papel higiênico.
E Deus continuará sendo um cachorro e um cristal.
terça-feira, 13 de dezembro de 2005
Apologia à rinite faz bem aos ouvidos
Bom, passaram batido por aqui quaisquer comentários sobre os maravilhosos shows do Claro Q É Rock no final do mês passado ou mesmo sobre a vinda do Pearl Jam. Estes últimos, embora tendo perdido, acompanhei passivamente o set list daqui de casa por morar perto do estádio. Pra consolar, vou recorrer ao velho e divertido post da trilha sonora dos últimos dias:
Swervedriver - "Mezcal Head" e "Raise". Baixei os dois primeiros discos dessa banda britânica, extremamente criativa durante os anos 90 e solenemente ignorada pela minha curiosidade até pouco tempo. Eu sabia mais ou menos do que se tratava e tinha preguiça: o rótulo shoegazer pra mim era quase sinônimo de autismo. Aliás, ainda é. Como há exceções que confirmam a regra, adoro My Bloody Valentine e agora estes cabeludos totalmente sem naipe. Gosto disso: bandas de gente com cara de 'normal', ou daquelas que você vê uma foto e não saca de cara o poder sônico. O Swervedriver batia cartão no Lado B da fase boa, quando um bando de zé-ninguéns de Oklahoma ou de Oxford eram despejados nos lares mais sortudos. O som é altamente estradeiro, tem muita pegada. Letras sobre mustangs e desertos. Vocal melódico e enterrado em milhares de detalhes de guitarras que, ao contrário das bandas 'próximas', te cativam e nunca entediam.
Social Distortion - "Somewhere Between Heaven And Hell". Sem palavras. Emocionante. E há anos que eu adiava a aquisição deste aqui. Uma definição simples e rasteira: o Mike Ness é um encontro do Joe Strummer com o Johnny Cash. Mas ainda prefiro o outro disco deles que tenho, o "White Light White Heat White Trash".
T. Rex - "Electric Warrior". Róque jurássico, afetação e diversão garantidas.
Detalhe: esses dois últimos eu comprei num sebo a preço de banana. Aliás, no final de semana passado tive o deleite de ler uma matéria na Revista da Folha com um percurso por alguns sebos daqui de SP. O prazer veio não só pelo meu insalubre hábito de fuçar os carcomidos estabelecimentos sempre que rola a equação [grana x paciência]², mas também por conhecer a maioria dos lugares listados e, principalmente, por estar familiarizado com esse prazer de encontrar um livro ou disco absurdamente barato, daqueles que o vendedor não tem a menor noção de quanto valeria numa dessas lojas virtuais gringas ou mesmo daqui. Aparecem direto cds ou livros usados com estado de novos, mas com preço de usados. Como viciado em música e sedento por pequenas descobertas inusitadas, já achei muita gente boa como Nine Inch Nails, Superdrag, Van Morrison e até a PJ Harvey dando mole. Também já tive umas desilusões, como ficar embasbacado ao achar dois cds clássicos do genial freejazzista Ornette Coleman por quinze pilas cada e, ao levar até o balcão, me deparar com um talho grotesco na mídia de cada um deles. O único efeito colateral preocupante disso tudo, além da maldita alergia, é o risco de se adquirir o senil costume de analisar longamente cada item pensando no custo-benefício. Mesmo que esse 'achado' seja um resumão de vestibular do José de Alencar ou um poster do Vanilla Ice.
Pra terminar, a dúvida: por que a redação da tal revista não investe mais nessa linha 'opções e roteiros insólitos em SP' e larga a mão de vomitar sempre como matéria de capa o catálogo da Dolce & Gabbana?!


