domingo, 20 de dezembro de 2009

E aqui vai a segunda parte...


Danger Mouse & Sparklehorse - Dark Night Of The Soul
Este eu só ouvi aos 45 do segundo tempo. Produtor dos mais requisitados da praça, Danger Mouse passou boa parte de 2009 na maciota. Mas conseguiu fazer bonito colaborando pela segunda vez com Mark Linkous, sujeito que também responde pelo valium com champanhe em forma de música chamado Sparklehorse. O projeto, que também envolve um livro de fotos do David Lynch e passou por imbróglios judiciais com gravadoras antes de sair, junta vários chegados gente-fina como Wayne Coyne, Nina Persson, Iggy Pop, Black Francis, Jason Lytle e Vic Chesnutt (o mais bizarro). Tem também o Julian Casablancas, que não compromete. Todos emprestam voz às canções etéreas de Linkous, que ornam perfeitamente com aquela textura distinta suja-psicodélica do Mouse. Coisa linda. Sente o drama


Flaming Lips - Embryonic
Experimental e admiravelmente incômodo como não era desde o elefante branco Zaireeka, ainda nos anos 90, o Flaming Lips lança um álbum menos convidativo, menos agridoce, menos panda de pelúcia no palco do que seus três anteriores. Boa sacada da tripulação do Wayne Coyne. Nada contra a empatia fácil causada pelas peripécias de Yoshimi, por exemplo, mas antes da passação de mal que foi o filme e a trilha Christmas On Mars, de 2008, a tendência parecia ser traçar rotas mais seguras. Dando sequência à guinada, Embryonic, com sua sonoridade quase krautrock em vários momentos, confunde os mais sensíveis de paladar auditivo (err... sinestesia tem tudo a ver com o disco!). Outra teoria rasteira: como sobrevoar os anos 70 - inclusive pelo formato em vinil, duplo - sem soar revisionista. :) Passa a mão


Grant Hart - Hot Wax
Poucos ouviram e vão ouvir esta pérola aqui. Enquanto o eterno ex-Hüsker Dü Bob Mould lançava mais um solo meia-boca este ano, seu titubeante ex-parceiro/rival de banda quebrou 10 anos "sabáticos" com um belo disquinho: de produção modesta, mas ótimas ideias. Hart é nome cult entre roqueiros underground acima dos 30 - virou até nome de música dos Posies - e, para usar mais um daqueles clichês infalíveis, incorpora um suposto encontro furtivo de Bowie com Brian Wilson tendo os Seeds ou os Sonics como banda de apoio. Em outras palavras: harmonias vocais bem marcadas, órgãos sessentistas e uma cama áspera de guitarras. Try it


Fool's Gold - s/t
Do balaio de bandas recentes que abraçam a África às custas de um malandro intercâmbio social pós-Byrne ou pós-Paul Simon (variantes do nosso pós-tropicalismo caetânico liiindo), o Fool's Gold é das mais convincentes. Formado na Califórnia por dois israelenses e contando com alguns sul-americanos na jogada, o coletivo se distancia das levadinhas simpáticas e esqueléticas do Vampire Weekend - prefere grooves tribais mais preguiçosos, hipnóticos, muitas vezes cantando em hebraico. Alguma influência do Leste Europeu também aparece aqui e ali, mas sem a pegada punk rock do Gogol Bordello. Enfim, pode até ser a típica banda que agrada críticos musicais e curadores de eventos, mas o preconceito vai por água abaixo assim que começa a lânguida "Nadine". Ou durante a instrumental "Night Dancing", em que violões de linhagens balcânicas se enroscam com um naipe de metais afrobeat. Chaparral! Veja qualé


Jarvis Cocker - Further Complications
Se tinha uma banda que não me despertava nada enquanto existiu e teve espaço, foi o Pulp. Com suas letras estilo "tapa com luva de pelica", sempre elogiada por críticos e com séquito considerável, me barrava um pouco por aqueles arranjos afetados, que os fãs chamam de "suntuosos". Mas quando Jarvis lançou em 2006 seu primeiro solo e resolvi ouvir por motivos aleatórios, passei a respeitar. Com a tradicional pinta de professor de linguística e pernas de graveto trajando ternos risca-de-giz, ele não perdeu a mão para escrever mas anfetaminou um tanto o som. Basicamente, trocou alguns referenciais: saem de cena Scott Walker e o pop cameristico e entram Bowie e Iggy Pop fase Lust For Life, sem que isso pareça oportunista ou rançoso. Agora, no segundo solo, a coisa engrenou. Comecei até a simpatizar com algumas coisas do Pulp, como o álbum We Love Life. Só alegria


Cidadão Instigado - Uhuuu!
Para não dizer que não coloquei nada nacional, vai um que representa legal. É o disco mais bem acabado da banda, ao mesmo tempo bastante acessível e psicodélico. Os fraseados tortos da guitarra do Fernando Catatau, na escola do tropicalista Lanny Gordin, estão cada vez melhores. Destaque óbvio pra faixa "Homem Velho", em que ele sonha com o "homem sério" Neil Young dançando reggae na praia de Canoa Quebrada com uma nativa e oferecendo-lhe canções bonitas. Melhor é impossível! Dá uma orelhada


NOMO - Invisible Cities
Mais música negra tocada por branquelos diretamente de Michigan, EUA. Alternando algumas digressões lisérgicas e várias levadas quebradaças de baixo e bateria, mas sempre com a gorda e criativa seção de metais à frente, a banda seria perfeita para acompanhar o black president Fela Kuti caso o nigeriano ainda estivesse neste mundo. Ouvindo repetidas vezes Invisible Cities, dá para imaginar o vozeirão do hômi entrando de solapa quando os fraseados repetitivos já te pegaram de jeito. E com direito a boa versão de "Ma", do Tom Zé. Pensando bem, ficou melhor que a original. Dá uma sacada


Alice In Chains - Black Gives Way To Blue
Pearl Jam - Backspacer

Sem muitas elucubrações aqui. Se você é um cidadão de meia-idade cansado e nostálgico, vai repetir mentalmente "Porque o grúngi nunca há de morrê!" e baixar sem medo esses dois disquinhos, que são melhores do que o cool avant-garde descolado imagina. Se você não se encaixa no grupo acima, pode ouvir os dois sem procurar desculpas. Confere um e depois o outro

E a África do Sul é logo ali!

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