quarta-feira, 19 de outubro de 2005
A paciência enfrenta o rock progressivo
quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Keep swimming
Acordei dando muita risada e mais tarde veio a tão esperada constatação: é verdade, continuo realmente nadando. Bom lembrar disso às vezes. Num espaço delimitado, finito; metade submerso, metade à vista de quem quiser. Sem cobranças. Sem simuladão. Engolindo um tanto de água de vez em quando, mas prosseguindo, prestando atenção em mim mesmo para não bater a cabeça lá na chegada ou entrar na raia ao lado. Não há tempo para afundar ou pairar boiando. E cloro demais nos olhos é preguiça de paraplégico, seja lá o que isso queira dizer.
sexta-feira, 26 de agosto de 2005
The Kills - No Wow (2005)
Fisicamente, o cara lembra um pouco o Iggy Pop quando o grande maracujá do rock tinha uns 30 anos. A voz e a presença da garota - que felizmente abandonou os EUA e o emo-punk-pop lazarento do Discount - assim como as guitarras sujas e o minimalismo, lembram a PJ Harvey sem tanta sofisticação do Rid Of Me (93) e do último disco, Uh Huh Her (2004). Com essas poucas referências dá pra sacar um pouco do que se trata. Claro que torci o nariz quando ouvi falar de The Kills pela primeira vez. Tá, mais uma duplinha dinâmica criada em laboratório pela Folha de São Paulo. Admito também que a vinda da banda ao Brasil esse mês moveu um pouco mais a minha curiosidade. Mas ao deixar rolar esse que é o segundo disco deles, fui presenteado com uma despretensiosa seqüência de faixas que funcionam tão bem ao azedo acordar como num inferninho abafado (sempre quis usar esse tipo de clichê! He, he). Esqueça o hype, esqueça o White Stripes, temos aqui um belo e seco disquinho de róque.
quinta-feira, 25 de agosto de 2005
O mau exemplo
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Same old song and dance
Clichês e mais clichês e mais clichês e mais clichês e mais clichês e mais clichês. Tudo aquilo que você ouve por acreditar ser único, por acreditar que o momento é o que pede, por talvez fazer alguma diferença, tudo será repetido sem dó nem piedade. Não que eu nem você precisemos de dó ou piedade. Mas tudo o que você está ouvindo já foi pronunciado antes: as piadas, os impropérios, os elogios, os conselhos, as críticas, os gemidos da fornicação. Você simplesmente não se deixa abater (ou até deixa durante um tempo), mantém o sorriso desgastado e a expressão quase cínica de surpresa. Assim mesmo, não deixa de ser estarrecedor: as mesmas palavras, exatinhas, na mesma ordem, nenhum pontivírgula a menos. Uma folha no meio de cem fotocópias da mesma página. Sim, nada mais pertinente que uma metáfora clichê.
O milagre da multiplicação merecia um filme do Kubrick. Eu assino embaixo daquela famosa teoria não comprovada, a de que todas as combinações de acordes possíveis já foram criadas. Esse deslumbre todo, essas palpitações, essa indiferença, esse corte no supercílio, essa sensação de aprisionamento, essa cãibra na panturrilha, essas borboletas no estômago, esse 'o petróleo é nosso', essa vontade de comer a pipoca doce que vendem na porta do zoológico, esse inferno astral, essa comida nordestina. Tudo que nos faz sentir vivos (!) e de tudo isso a Madame Bovary, o Jung, o Nietzsche, o Beijoqueiro, a Terri Schiavo, o Paul Westerberg, um mico-leão dourado, a Aracy de Almeida e a Lucy Van Pelt já tiraram suas casquinhas assim como alguém tirou a deles.
De certa forma ainda estou voltando àquele tema do 'instinto'. Sem essa de seres ordinários e extraordinários, Fiódor. Me procura semana que vem. No dia em que isso me descer redondo que nem aquela cerveja, jogo o caderno em cima da mesa e pego o primeiro trem pras Maldivas. E não livre a sua cara disso, você é tão criminoso quanto eu.
Tom pseudo-hostil é a serventia da casa. E quem se conforma ganha mais uma estria para a coleção.
domingo, 14 de agosto de 2005
Coluna do meio
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Um Marques de la Colina e uma colher de pau
Se eu tivesse um desses programas de TV durante a tarde, daria a seguinte receita:
Coloque as caixas de som na direção da cozinha e separe alguns cds. Comigo já deu certo gente bem diferente, como Afghan Whigs, Social Distortion e Paulinho da Viola. Hendrix e Stones também são uma boa. Imprescindível mesmo é a música estar ALTA. Abra bem a janela ou use o exaustor, ou de preferência os dois. Pegue a peça de carne ou frango e deixe descongelando, troque a água de tempos em tempos, e confira se a peça está desempedrando. Se você foi esperto o bastante para ter tirado do congelador de véspera, párabéns! Você está fora do clube dos finos apreciadores da culinária semi-rasteira. Só então abra a primeira da latinha de [preencha com a sua marca preferida]. Escolha o apoiador de copos mais estiloso. A diversão tá só começando. Como você é sagaz o suficiente, já sabe fazer um arroz, lavar umas folhas e refogar o que vier pela frente. Vamos pular essa parte, ou caso você seja um diletante como eu, peça ajuda ao Louro José. Enquanto algumas coisas não ficam prontas, aproveite para lavar louça e desobstruir o meio de campo. Perceba como essa tarefa se torna menos chata ao se atingir o nível ébrio iniciante. A essa altura do campeonato, você já deve ter esvaziado algumas unidades de alumínio (ainda mais se estiver calor) e vai estar dançandinho acompanhando a música. Estando só ou acompanhado, vai se sentir mais sexy e vai lembrar das letras. Não desista ainda. Invente novos passinhos bizarros. Aquele que estiver junto não vai te intimidar, é de confiança - caso contrário, não arriscaria o estômago com as suas vocações circenses. Continue bebendo, mas nunca entorne de vez. A sua autocrítica e o seu paladar devem estar de pé no final do jogo. Caso contrário, vai achar que cominho é um tempero dos deuses e até detergente pode entrar no pagode. Falando nisso, alguns acessórios merecem estar sempre à mão: vinho branco, noz moscada, pimenta calabresa ou do reino, orégano, azeite, parmesão ralado, manteiga, alho e uma bela duma luva de forno. Mais sugestões eu leio no próximo programa. Abra mais uma latinha, dê uma mijadinha e comece pela salada enquanto o principal dá aquela última dourada. Na hora da verdade, melhor abaixar um pouco o som e trocar a cevada por um suco, pra não influir no gosto e principalmente pra não comprometer os elogios que você vai ouvir. Ignore os superlativos que a sua comida receber, e diga que tava faltando mais 'alguma coisa que eu não sei bem o que é'... e lembre-se: as sobras são mais agradáveis de se comer do que aquelas outras!
Diz aí, melhor que assistir Sonia Abrahão ou TV Fama.
segunda-feira, 8 de agosto de 2005
Mais um dia ideal para os peixes-banana
Após as três horas, apesar de recolhida a folhagem, tudo ganha dimensões mais sombrias. O vento úmido dá socos no peito, me aconselhando a voltar para casa. A fauna se expande a começar pelas carpas pretas semi-apodrecidas, que acenam boas vindas com línguas-de-sogra de dentro do tanque oleoso. Maltrapilhos descalços ajoelhados nos bancos, desempregados lendo a Bíblia e casais inusitados, como um formado por um nordestino atarracado ostentando um respeitável bigode e por uma oriental calva de meia-idade, me observam como se eu quebrasse a harmonia daquele saudável mas não menos triste hospício sem acompanhamento psiquiátrico. Uma loira avermelhada acima do peso alonga suas pernas, levantando seu traseiro desproporcional. Sorri quando me cruza pela segunda e pela terceira vez, com seu maxilar anguloso e ascendência holandesa combinando de forma duvidosa com o aroma convidativo de merda dos cavalos que saltam sobre barras enferrujadas, e desaparece logo em seguida. No fim, sou coroado com uma rinha espontânea de sumô entre galos idênticos, de penas brancas e cristas vermelhas. Os dois se encaram curvados e se atracam ao terceiro sinal da campainha, sendo separados por uma sábia galinha esguia. Como testemunhas, eu e um sósia do Roberto Carlos.
Saio daquele inferno verde e úmido com o estranho desejo de que poderiam pôr em vigor algum tipo de lei que permitisse fechar a cadeado todas aquelas criaturas ali dentro. Mas a dor no joelho que desapareceu me faz mudar de idéia, assim como o suor em minha camiseta, que toma a forma de um rosto sorrindo acanhado.
sábado, 6 de agosto de 2005
Either/Or
quarta-feira, 3 de agosto de 2005
Breve cuspida de sangue
sábado, 30 de julho de 2005
Não tenho problemas com quem publica tratados existenciais sobre a unha do pé encravada, ou quem vomita letras da Legião Urbana pela falta do que contar, ou quem pensa ser o Hunther Thompson da vez. Cada um sabe onde aperta o sapato, como diria um prezado camarada. Tudo gira na questão de como fazer, de como jogar idéias insólitas sobre o nosso pãozinho na chapa de cada dia.
O buraco, então, é mais embaixo. Como todo 'imobilista convicto' (ver post anterior), carrego um vício que não recomendo aos iniciantes: muitas vezes só por investir um bom tempo refletindo sobre determinado assunto, cria-se a sensação de ter dado cabo dele. Pronto, resolvido, next! E na realidade é uma farsa, pois o que se pede é ação. A neurose ainda vai estar ali parada na sua frente, como um segurança de boate. Blogs muitas vezes acabam reforçando essa barreira: fulano está cabreiro com o tamanho da pança, digita seu pequeno capítulo diário de auto-ajuda e sorri satisfeito, como quem acabou de eliminar a cerva da bexiga. Tá armada a arapuca. Vira simplesmente um meio de fuga.
E por mais retórico que isso possa soar, ainda gostaria de pensar que é melhor ficar vesgo olhando 2 minutos sem parar pra uma ponta de caneta, contanto que seja assinado de vez o cheque logo em seguida. Lembra do filme Ghost, quando a alma penada Patrick Swayze se concentra para dar um peteleco numa lata e tirá-la do lugar? É por aí.
quinta-feira, 28 de julho de 2005
Fratura exposta engessada
Recentemente uma conversa me fez pensar naquilo que cumprimos por instinto no sentido herdado, coletivo. São aqueles comportamentos da espécie que desde um vassalo feudal até uma empresária da Daslu - e incluindo eu e você - temos em algum momento da vida por enfrentar e executar, não tanto por opção mas por algum tipo de necessidade. Isso também varia e toma várias formas, passa pelas funções vitais, pelo desenvolvimento, aprendizados, rupturas e por aí vai.
Dentro desse fantasma tão vago e abstrato que a gente chama de 'instinto', me chama muita atenção a disposição cíclica que a gente tem para adaptar características de certo momento da vida em um outro bem diferente. Exemplo: quando pivete, eu e quase todos da mesma idade colecionávamos figurinhas do Campeonato Brasileiro - achava sensacional elas não serem autocolantes, o álbum ficava com as páginas grudadas e com aquele cheirão de cola Pritt. Pouco mais tarde, na adolescência, gostava de pensar que estava começando uma coleção de cds, enquanto vários amigos faziam coleção de latinhas. Hoje, apesar de ainda não ter estabelecido critérios e já ter transformado meu gosto zilhões de vezes, continuando comprando cds com grana que seria para pagar a luz ou algo do tipo. O que ainda me faz achar que é uma coleção, além daquele desejo mórbido e infinito de sempre querer mais, é o fato dos cds estarem nas prateleiras da minha parede, lado a lado, organizados por ordem alfabética. Do mesmo jeito, a minha coleção de problemas a serem resolvidos está por aí também, só que martelada com pregos oxidados, alguns ítens com uma camada de poeira por cima e alguns pendurados por cima dos outros. Mas permanece aquela essência, a necessidade (?) de agrupar antes de perceber se existe um sentido por trás da criatura remendada do Dr. Frankenstein.
Bom, não pretendo fazer dessa conversa uma punheta sem fim, até porque 'blog' é onanismo por definição, é terapia por correspondência. Também não encerrei o assunto. Mas tive uma idéia infantil que me satisfaz por ora: como naquele jogo de acertar o rabo do burro, vou vendar os olhos e escolher onde o alfinete vai espetar primeiro.
quinta-feira, 14 de julho de 2005
Pouco depois da tal aula, ganhei de presente um livro chamado Rádio e Pânico, uma coletânea de textos sobre o impacto que essa transmissão causou nos meios de comunicação. O livro vem também com uma transcrição do texto e um cd engraçado, de uma versão em português com uma interpretação que lembra aqueles disquinhos coloridos de histórias infantis. Li e ouvi alguns trechos na época, mas desde então posso dizer que não tive mais contato com nenhuma versão.
Quando soube que o filme do Spielberg iria estrear, não saí correndo pra ver. Aliás, dentre as poucas opções que a gente tinha ontem no Bristol, me apetecia mais ver Batman Begins pela segunda vez - esse sim, um filme surpreendente que fui ver sem esperar nada. A primeira e uma das poucas coisas a se dizer: tirando os efeitos especiais que nos mantêm entretidos (e que, no caso do Spilba, chega a ser covardia ostensiva), a versão 2005 não acrescenta nada. Não digo em relação à obra, mas como cinema dentro do duvidoso gênero 'ficção científica', ou qualquer coisa do tipo. Começa até que bem, tenso e opressivo, mas em pouco tempo descamba pra mesma baboseira do tipo 'patriotismo vs. fim dos tempos' que qualquer nerd de lan house já não esteja cansado de ver. Sem contar os gritinhos irritantes da filha do Tom Cruzes, que merecia ter o sangue pulverizado como teve o resto dos humanos no filme.
Saldo final: atuações pouco convincentes (Tim Robbins com o filme queimado de novo, depois do bom Sobre Meninos e Lobos), alguns bons efeitos de quem nisso já foi melhor, etês antipáticos, eu zonzo na segunda fila vendo tanta casa caindo e lanchinho depois mais divertido que as duas horas e cacetada de la película.
quarta-feira, 13 de julho de 2005
Seja bem vindo (ou não).
